A volta do Diário de Palco

O projeto começou livro, foi por um tempo um dos blogs hospedados no site da MTV Brasil e, independente como sempre, agora é site. Gustavo Pelogia é jornalista, autor do livro e quem comanda o Diariodepalco. Confira o bate -papo sobre o retorno e essa nova fase.

Depois de cinco meses fora do ar, como foi voltar à ativa? Como tem sido o retorno?
PelogiaEstou feliz pra caramba! Agora que tenho mais experiência profissional com internet, consegui planejar melhor as coisas. Tem reportagens aí que fiz em março, por exemplo, a do Renê e do Cueio. Não sabia quando o blog iria voltar ao ar, mas quis aproveitar as situações. Não é toda hora que se está perto de Mariscal/SC.

O melhor é que quem já acompanhava essas histórias terá tendo a oportunidade de ver que muitas outras virão e que você não desistiu de seguir em frente com o Diário.
Sim. O Diário é o meu maior prazer no jornalismo. As pautas são minhas, faço no meu ritmo, com os artistas que gosto.Uma das bases do blog é trazer um conteúdo diferente do resto. Em qualquer portal, seja grande ou underground, todo mundo reproduz quase sempre as mesmas notícias. Não quero isso. Quero boas histórias. Não vou cobrir, sei lá, um show qualquer do Sugar Kane e fazer uma resenha simples. Todos os shows deles, em um curto período de tempo, serão bem parecidos. Mas, se eu conto como foi a preparação para um show especial ou se viajo com eles para uma turnê, tenho algo “especial” para contar.

Isso leva um tempo pra ter a credibilidade e a confiança da banda pra garantir esse espaço e a exclusividade que, mais do que um jornalista pautado, é alguém que acompanha a cena e sabe o que diz.
Sem dúvida. É por isso que tudo começa com as bandas dos amigos e depois vou dando outros saltos. No Diário, vale mais eu ter um post contando sobre o novo estúdio do Renê, ou várias pessoas comentando o fim do Alexisonfire do que todas as notícias do dia, entende? Sempre tive vontade de fazer isso e na MTV já rolava um pouco, mas acabei me acomodando após um tempo. Agora como a frente do blog sou eu, não tem ninguém para “segurar” e divulgar, acredito que a coisa ande bem, sem tantos altos e baixos.

Mas a MTV não interferia diretamente no conteúdo dos posts, ou não?
Não, era tudo livre. Como não recebia, também não tinha obrigação. Mas depois de algum tempo, passei a sofrer o efeito sanfona de milhares de blogs: vários posts em uma semana, depois 2, 3 semanas sem colocar nada.

“Acho que o maior problema hoje são os clichês. As pessoas lêem e ouvem pouco e querem expor sua opinião. Se você pega um blogueiro pequeno, ele pode supervalorizar um artista (coisa que já fiz muitas vezes) e acaba repetindo a mesma coisa para todos.”

Você falou desse efeito sanfona dos blogs, da falta de peridiocidade. Essa polêmica que dizem que jornalista não tem que ser blogueiro e que blogueiro não tem credibilidade de jornalista, você concorda? Você que é jornalista formado, diplomado se incomoda com o termo? Acha o que desse negócio de classificar?
São coisas que se misturam. Se o cara escreve bem, ele não precisa estudar quatro anos. Rola muito de jornalista não saber bem o que faz e se sentir ameaçado. Mas se o cara saber fazer, você vai perceber que ele é especialista naquilo. É só você pegar qualquer revista séria, como RS, Billboard e até de outros temas. Para conseguir as histórias, as informações, o jeito de escrever deles, não é pra qualquer um. Tenho estudado crítica de música e de cinema e é gritante a diferença de quem tem bagagem e sabe escrever para qualquer um que acha que sabe, incluindo muitos blogueiros. Resumindo: tem espaço pra todos!

Atualmente, qual é o erro mais grave que as pessoas cometem ao fazer uma crítica de música ou produzir uma matéria em jornalismo cultural no geral?
Acho que o maior problema hoje são os clichês. As pessoas lêem e ouvem pouco e querem expor sua opinião. Se você pega um blogueiro pequeno, ele pode supervalorizar um artista (coisa que já fiz muitas vezes) e acaba repetindo a mesma coisa para todos. Veja você os releases de bandas novas. Todas anunciam que já passaram por uma reformulação, que tem melodicas marcantes, que o show é incrível, que tem o equilibro entre o peso e o mercado, citam uma lista de grandes com quem já dividiram o palco… Todas escrever a mesma coisa. Acontece isso com a opinião: quem não se esforça para construir uma, repete o que os outros fizeram e muitas vezes não são lidos.

Voltando ao Diário, quem fez a arte do novo site?
Quem criou e programou tudo foi o Vinny Campos, do Studio Lhama. É um grande amigo e, com base em algumas referências que mandei, criou tudo e mudamos apenas pequenos detalhes, mas posso quantificar que 95% foi aprovado de cara. Se não tivesse um bom visual, também não me empolgaria em tentar escrever um bom texto e muitas pessoas não teriam interesse em ler.

Desde de quando o seu projeto nasceu como livro você ja tinha idéia de fazer um site para publicar essas histórias?
Já. Eu comecei a brincar de jornalismo com o Alternativo Rock, um site que tive por alguns anos até 2007. Chegamos a ser uma equipe com 4 pessoas, uma em cada cidade e funcionávamos bem, até que a falta de tempo acabou comendo o projeto. No final de 2008, tentei começar alguns sites novos, mas ficamos na teoria – inclusive como Diário de Palco, que tinha você e um outro amigo na equipe. Quando tive de fazer o livro, que foi meu projeto de conclusão da faculdade, este foi o primeiro nome que me veio a cabeça. Quando o Portal MTV veio me entrevistar, o Brunno Constante perguntou se eu não queria ter um blog lá. E só assim, sozinho, que a coisa andou por quase dois anos.

As pautas são bastante diferenciadas do que normalmente se  vê em entrevistas e matérias. Como você mesmo disse, esse o grande mérito do Diário. Qual delas você mais curtiu fazer e qual deu mais repercussão até agora?
A reportagem que mais deu cliques até agora foi a do Cueio Limão. O curioso é que ela foi gravada em março, para ser conteúdo na MTV. Por acaso, comentei com Camilo, vocalista da banda, que publicaria uma entrevista com o Moderno e ele me contou sobre os shows que farão no final do ano. Ou seja, a entrevista levou quase cinco meses para ser publicada e nutos antes, o foco muda. Então, pesquisar um pouco mais pode fazer um puta diferença. O que mais gostei de escrever foi a reportagem com o Renê, ex-baterista do Sugar Kane. Poderia ser uma reportagem de jornal, pois o passado underground dele ganhou um rumo novo. A história é legal, a viagem foi uma aventura e o personagem é uma ótima pessoa.

Pelogia – Foto: arquivo pessoal
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