A ditadura no comando do COB

Ainda que tenha menos que o tempo de governo das repúblicas socialistas Cuba e Coréia do Norte, a não-alternância no comando do Comitê Olímpico Brasileiro somada a imposição de idéias, valores, sistemas eleitoral e orçamentário duvidosos, em nada difere das ditaduras vigentes nesses dois países citados. E assim, por aqui, Nuzman é candidato novamente e pode emendar seu 21º mandato consecutivo no comando da entidade.

Carlos Nuzman ri à toa. Além do COB, também preside o Comitê Organizador Rio 2016. Mesmo que, seja por formalidade ou por opção de voto, haja outros candidatos, a reeleição do ex-jogador de vôlei novamente à presidência do COB é praticamente certa já que ele tem apoio de 24 das 30 confederações esportivas nacionais. Talvez a maioria assumindo a máxima, “ruim com ele, pior com ele.”

Nuzman mesmo acredita que sua permanência é por não ter substituto à altura. “Você tem carência de pessoas. Tenho trabalhando no COB com 19 ex-atletas olímpicos. E fazemos cursos para formar outros para integrarem nossos quadros ou serem futuros dirigentes. As pessoas não fazem curso, não estudam, não querem melhorar e acham que sabem tudo. Então, o dirigente fica. No mundo inteiro acontece com frequência”, disse à reportagem do Portal Terra em 5 de fevereiro.

OPOSIÇÃO E APOIO

Uma das poucas confederações a dizer não à reeleição é a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM). O presidente da entidade, Alaor Azevedo, está preparando um documento pedindo mudanças no COB.  Segundo reportagem do site D24am de Manaus, o dirigente da CBTM pede um diagnóstico das necessidades de cada confederação.

— O ideal seria no mínimo cada confederação receber R$ 3,5 milhões de estatais e da Agnelo/Piva. Mas a Confederação de Desportes no Gelo leva R$ 500 mil/ano — explicou. — A lei é um Robin Hood ao contrário. Tira dos mais pobres para os mais ricos. Vivemos em “ChiLeoa”: ricas na China, e pobres em Serra Leoa.

O sistema eleitoral do COB é outro ponto criticado. Nuzman, que assumiu em 1995, prometendo fazer do país uma potência olímpica em oito anos, completará, em 2016, 21 anos no poder.

— O COI estipula 12 anos e limite de idade até 70, tanto que Nuzman, que fará 70 anos em março, terá de sair. Há uma parcela descontente e silenciosa. Como a maioria depende financeiramente da Lei Agnelo/Piva, é difícil discordar, pelo receio de ter recursos cortados — afirmou Alaor, que não pôde ficar até o fim da reunião por ter viagem marcada.

Em ano de Olimpíada e movimentado para o esporte, o documento está sendo elaborado enquanto a reeleição espera ser formalizada. Ainda segundo a reportagem do D24am, por meio de sua assessoria, o COB informou que não divulgaria os nomes dos 24 dirigentes que apoiaram a reeleição.

Acompanhe notícias do COB no site oficial do comitê.

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