Playlist da semana #36 – Televisão

Venho fazendo muitas playlists com músicas gringas. Para me redimir, dessa vez, uma playlist só com músicas nacionais. Os roqueiros brasileiros nutrem um odiozinho por aquele aparelho eletrônico que normalmente as pessoas tem no meio da sala de estar. Como dia 11 de agosto foi o dia dela (não sabia?), na listinha de hoje, rockers brazucas em músicas contra a TV.

>>PLEBE RUDE
“Mais raiva do que medo” é um dos discos menos conhecidos da Plebe Rude. E por isso, adorado pelos fãs mais true da banda. Nele estão hinos como a faixa-titulo, “Mais tempo que dinheiro” e a mais conhecida dele, “Este ano”. “Não nos diz nada” abre o disco e é totalmente dedicada à alienação da geração anos 90 em frente à TV. O disco gravado em 93 veio cercado de polêmicas com contratos com a gravadora e a primeira vez que a banda vira um duo com a saída de Jander Bilaphra e Gutje, respectivamente guitarra/voz e bateria. Clima tenso, mas nem por isso não contestador. Se não conhece, aperta o play e repare já esse erro imperdoável.

>>TITÃS
Apesar do estrondoso sucesso com o público, sendo frequente nos programas das tardes do sábado, estourados nas rádios, os Titãs ainda nutriam uma guerra interna entre ser punk contestador e letras politizadas ou ser popular e condicionar para essa vertente. O som até poderia soar um pouco mais “acessível”, mas eles não pegaram leve com as letras. Nem naquela época, nem nos discos que vieram depois. “Televisão” é o segundo álbum da banda, lançado em junho de 1985. Apesar de não ter tantos hits ainda, tem algumas que cairam na boca da galera: “Insensível” e “Não vou me adaptar” entre elas. O refrão de “Oh Cride, fala pra mãe”, referência ao personagem do genial comediante brasileiro Ronald Golias, virou música e continua sendo um dos maiores hits da banda. Tocando justamente para e sobre a massa que vivia e vive sendo emburrecida em frente à TV. Esse clipe é não original, mas traz a música em boa qualidade e melhor que a versão do acústico.

>>LEGIÃO URBANA
Depois de ser consagrada como uma das melhores bandas do rock nacional, mesmo aparecendo menos que as outras, tocando menos que as outras, Legião Urbana era um absurdo de vendas e histeria. O álbum “V” surgiu numa virada de década bastante marcada pela crise econômica, descrença, dívidas, país em colapso. As letras inspiradas de Renato Russo nesse disco refletiram, explícitas ou nas entrelinhas, esse sentimento comum dos brasileiros. Ainda que não direcionada, “Teatro dos vampiros” era, como relevada nesse acústico feito para a MTV anos depois do lançamento do disco em 1991, sobre a TV. Atual, a despeito da falta de grana, falta de emprego, os amigos continuam saindo pra beber enquanto os assassinos estão livres. Nós não estamos.

>> CAPITAL INICIAL
Tem quem ache que tudo não passava de uma cópia barata de Legião Urbana, e por muito tempo o Capital Inicial foi isso mesmo. Mas não se pode negar, que mesmo esse fato ser endossado por eles, que os singles e discos tem lá sua história própria. O mais clássico lançamento é o primeiro disco, homônimo, lançado em 1987. Além do “Psicopata” que não tinha família, maltratava a empregada e estourava os aparelhos de televisão com uma arma quando aparecia o Francisco Cuoco, o disco tem hits como “Fátima”, “Leve desespero”, “Música urbana” e “Veraneio vascaína”. Mesmo criticando e a contra gosto, rock nacional nessa época era tão pop que era facilmente tema de novela. Mesmo criticando a toda poderosa Globo, não passaram imunes de ter uma musiquinha embalando alguma trama do canal 5.

>> INOCENTES
Apesar de ainda amargar no submundo da indústria musical ( e quem se importa?) o Inocentes já era um dos petardos do punk paulista quando lançou em 1989 o seu quarto álbum de estúdio. Homônimo, o disco, o último no formato LP, trazia entre as dez faixas “A marcha das máquinas”, crítica como todo bom punk é. O alvo? O consumismo e a TV.

>> GAROTOS PODRES
Falou em crítica e dedo na cara, não pode faltar os Garotos Podres. Eles até tem uma que é mais contra a TV, a “Brasil Irreal” que não se acha aúdio em nenhum lugar. Mas, fim dos anos 80, recessão, país numa dívida externa astronomica, falta de emprego, filas, racionamento de carne, o cidadão classe média e a classe operária, tinha só um sentimento: insatisfação. Esse é o nome de uma das faixas que traziam tudo isso pela tela da TV. A faixa faz parte de “Mais podres do que nunca”, primeiro disco lançado em 1985. Nele também clássicos como “Papai Noel Velho Batuta”, “Anarkia Oi” e ” Johnny”.

>> DEAD FISH
Essa é uma versão, na verdade. Em 2002, quatro das mais bombadas bandas do hardcore se juntaram e fizeram um clássico slipt com faixas inéditas e covers uns dos outros. Entre elas, está “Decisões Ordinárias” com Dead Fish fazendo versão da música “Shift” do Reffer. Completam o slipt as bandas Street Bulldogs e Noção de Nada.  O próprio DF tem uma música, “Damn´lie”, crítica à TV, mas aqui ficamos com a versão, em bom português.

>> CÓLERA
Crítica contra os desmatamento, equívocos políticos, falta de paz, humanidade e direitos humanos, a metralhadora raivosa do Redson, vocal do Cólera também se voltou a alienação da TV. A faixa “TV” está no EP “É Natal?”, disquinho com quatro faixas lançado em 1987.

>> RATOS DE PORÃO
Uma das mais revoltadas críticas à TV é “Escravo da TV” que está no clássico “Anarkophobia”, disco do Ratos lançado em 1990.

Para encerrar, um trecho de uma música que eu adoro. Apesar de também gostar de perder um bocado de tempo em frente a ela, aconselho: “Desligue sua TV e leia 1984 (desconfie dos vermelhos). Entenda Malatesta, Emma Goldman, Durruti. Seja alguém verdadeiro, não pise nos outros e comece por você. Acima de entender, faça. As rádios mentem: é tudo criado pra você não pensar em nada. Faça mais barulho. Faça sua raiva derrubar os muros.” – ‘Discórdia (Carro Bomba II)” do Dance of Days.

Até a próxima playlist!

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