Playlist da semana #38 – Rock x Guerra

Desde o atentado em 2001, impossível não falar de 11 de setembro sem falar naquele, hoje, distante pesadelo. Além da família das vítimas e das marcas deixadas em todos nós por consequência, temas como a guerra e a violência inspiram filmes, as artes e a música. Na playlist de hoje, letras inspiradas no 11/9 e contra o horror da guerra.

>>RUSH
“Peaceable Kingdom” foi lançada em Vapor Trails (2004) era originalmente instrumental. Depois, ganhou letra do baterista Neil Peart, comentando o 11 de setembro (“espadas contra o Reino/Tempo contra a Torre”) e falando das forças do terror que se opõem as pessoas que desejam a paz.

>>SLAYER
“Jihad” não é exatamente um protesto contra a guerra, mas sobre a “indústria” do mal que a alimenta. A polêmica faixa do álbum Christ Illusion (2006) foi escrita sob o ponto de visão imaginário de um dos terroristas que estaria participando do ataque. No final da faixa, os autores Tom Araya e Jeff Hanneman usaram palavras reais de Mohamed Atta, um dos mentores do 11 de setembro.

>>CREDENCE CLEARWATER REVIVAL
“Fortunate Son” é uma música criada por John Fogerty e Doug Clifford, vocalista e baterista, respectivamente. Ambos serviram ao exército entre 1966 e 1967 e perceberam que filhos ou parentes ligados ao alto escalão militar norte-americano conseguiam escapar do serviço militar. E a letra da canção critica esta atitude, em nome daqueles menos afortunados que deveriam ir à guerra.

>>JIMI HENDRIX
“The Star-Spangled Banner” foi uma “homenagem” instrumental de Jimi Hendrix no último dia do festival Woodstock, em 1969. Trata-se do hino nacional dos Estados Unidos tocado na guitarra de Hendrix. Porém, o que parecia uma homenagem a nação, logo se mostrou um protesto quando o grande guitarrista adicionou efeitos da guitarra, simulando  o barulho de bombas, metralhadores, sirenes, aviões e todo o caos representativo da guerra.

>>THE DOORS
“The Unknown Soldier” é o primeiro single do álbum “Waiting for the Sun”, lançado em 1968. A canção consiste na reação de Jim Morrison à Guerra do Vietnã e à forma como este conflito era abordado pela mídia norte-americana. Aborda a maneira como as notícias eram apresentadas a população em geral, onde as pessoas, fossem crianças ou adultos, eram levadas a acreditar incondicionalmente no que lhes era transmitido.

>>IRA!
“Núcleo Base”, um clássico do rock nacional é do disco “Mudança de Comportamento”, o segundo do Ira!, lançado em 1985. A música foi composta pelo guitarrista Edgard Scandurra à época em que ele serviu o Exército, representando um verdadeiro manifesto antialistamento militar.

>>LEGIÃO URBANA
“A canção do senhor do guerra” fala da indústria da guerra que infla os cofres e mata jovens e inocentes. Ela faz parte da primeira coletânea da banda, o duplo “Música para acampamentos” lançado em 1992. A música, em sua versão eletrônica, nunca foi aprovada pela banda, mas por negociações com a gravadora foi lançada assim mesmo. É a única música de estúdio do disco que só contem sons gravados ao vivo nos shows da banda. Todas as versões de aúdio são horríveis assim, só foi “melhorada” para tocar na rádio.

>>RAGE AGAINST THE MACHINE
“Bulls on Parade” é um single lançado em 1996. Faz parte do segundo álbum da banda, Evil Empire. A letra da música é o que é comumente chamado de “complexo militar-industrial”, que é a tendência da indústria (indústria de armamento, em particular) para incentivar os militares para comprar mais armas e aumentar os lucros. Versos da musica como Weapons not food not homes not shoes not need (“Armas, nada de comida, nada de lares, nada de Sapatos, nada de necessário, Apenas alimenta a uma guerra canibal e animal”) e They don’t gotta burn the boooks they just remove(“Eles não tem que queimar os livros que eles acabaram de remover”) são apenas alguns exemplos das várias referências ao “complexo militar-industrial” da música. Com as palavras Terror reigns drenching quenchin The thirst of power dons (“A chuva do terror molha, Satisfazendo a sede dos senhores do poder”), a canção fala que o medo do terrorismo é usado para manipular o povo da América como suporte para o militarismo e a ação militar.

>>SYSTEM OF A DOWN
Uma das bandas que mais botaram a cara a tapa e foram explícitas em oposição ao governo Bush e a invasão do Iraque e Afeganistão, foi o System of a Down. A crítica a qualquer ação do governo americano e todo o imperialismo está presente em várias letras deles. “B.Y.O.B.” (“Bring Your Own Bombs”) é uma música lançada em 2005 no álbum Mezmerize. Ela tem alto conteúdo político e foi escrita em protesto pela guerra do Iraque. Fala sobre as guerras e os riscos que elas trazem, a partir de um estilo musical associado ao metal, eles fazem críticas ao presidente, perguntando “Why don’t presidents fight the war?” (“Por que os presidentes não lutam na guerra?”), e “Why do they always send the poor” (“Por que eles sempre enviam os pobres?”).O video e a letra fazem referência, reza à lenda, a um acontecimento real articulado nos bastidores da Guerra do Iraque, sobre um encontro no deserto de autoridades para decidir o que fariam para evitar que as baixas fossem maior de um lado que de outro. E rolou uma festa regada a perversão e bebida depois da negociata. Tudo isso está claro na letra mas será verdade ou conspiração? Reza a lenda também que a banda entrou para um caderninho negro da presidência da época como ameaça ao país.

Felizmente o rock usa a crítica como outros poucos e tem música demais com o tema. Fico devendo uma próxima incluindo aí as bandas do Rock Against Bush,  do rock argentino contra a Guerra das Malvinas, além de outras efatizando o desprezo ao horror da guerra. Lembrando que não só hoje, mas todos os dias, dentro e fora de grandes atentos, pessoas morrem estupidamente com a violência doméstica, urbana, com agressões físicas e verbais. Reflita, seja positivo, se preserve e evite alimentar o ódio gratuito.

Ah! O logo que ilustra a abertura da coluna é do Gillmanfest, um festival de bandas que acontecia em Carabobo, Venezuela.

Com informações da Rolling Stone Brasil, The bacon is good for me ever , Wikipedia e História Digital

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