Grafitti x Governo cubano

Danilo Maldonado é um grafiteiro cubano que assina como “El Sexto”. Sua arte de protesto tem incomodado o governo e, por isso, chamando muita atenção dentro e fora de Cuba. Confira um pouco + da arte e da história dele.

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A matéria da Folha de SP de 2/3/13 conta um pouco de como Danilo começou a assinar como “El sexto”.

OS CINCO HERÓIS
É praticamente impossível abrir um jornal em Cuba ou caminhar longos períodos em Havana sem topar com uma alusão aos “cinco heróis”. Tudo parte de uma campanha pela liberdade de agentes do país condenados a penas severas na Flórida por espionagem, prioridade máxima para o governo Raúl Castro, que argumenta que eles estavam infiltrados em grupos anticastristas em ações de contraespionagem, e não espionando os EUA.
A insistência no tema foi o ponto de partida para o artista e grafiteiro Danilo Maldonado, 29, cumprir seu objetivo: iniciar o que chama de “diálogo conflitivo” com os dirigentes comunistas.Com spray na mão, saiu pichando nas paredes e e bancos com a inscrição: “El Sexto”, que viraria sua assinatura em todos os trabalhos.

PRISÃO E REPRESSÃO
“Heróis somos todos os cubanos, é o trabalhador que ganha salário que não dá para nada”, diz Maldonado que já foi detido quatro vezes e teve tintas e agendas de desenho confiscadas. A última vez que foi detido brevemente –sem apresentação formal de acusação, uma prática comum na era Raúl– foi durante a visita do então papa Bento 16 a Havana em março passado, ao lado de outros dissidentes. Do pequeno grupo político e artístico que se opõe ao governo, seus contatos incluem a blogueira Yoani Sánchez e a banda Porno para Ricardo.

INTERVENÇÕES
As inscrições nos lugares mais visíveis poucas vezes duram mais que um dia. As mais inacessíveis têm mais sorte, conta “El Sexto”.
A primeira intervenção que irritou a polícia foi em 2008, ainda antes de adotar o nome satírico. Num estêncil pôs dois elementos: as letras REV (“de revolução”), e duas flechas apontando para trás, como um “rewind” de gravador. “A polícia apagou no dia seguinte. A minha ideia era que ‘a revolução está retrocedendo’. Mas o que estava lá eram três letras e flechinhas para trás. O resto estava na cabeça deles também.”

Maldonado, que diz que entre suas referências estão o grafiteiro britânico Bansky e Jean-Michel Basquiat (1960-88), faz outros tipos de intervenção. Em janeiro, quando começou a valer a lei que facilitou viagens ao exterior, confeccionou pequenas asas que colou nos bonequinhos de placas de rua. Batizou de “Todos vão embora.” Num dos panfletos que distribui, pede ao receptor preencher: “Medo de…”, e indica o lugar para posicionar os polegares e rasgar o papel.O impacto, diz, não é de entusiasmar. “O que os jovens estão fazendo é fila na porta de embaixadas para imigrar. Conversam comigo dois minutos dizem ‘que bom o seu trabalho’ e pronto”.

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Conheça outras ações e mais do trabalho do “El Sexto” no Translating Cuba.

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