A desinformação do rugby brasileiro

Blogueiro afirma que problemas de comunicação são um dos maiores desafios a serem superados para o crescimento do rugby no Brasil. Confira o texto na íntegra.

rugby

“O rugby brasileiro vem crescendo muito, e grande desenvolvimentos vem sendo alcançados, é fato. Mas, quando o assunto é comunicação, bagunça é a definição correta. Aqui seguirá uma crítica que se pretende ser construtiva, acima de tudo, e que dificilmente teria efetividade sendo feita de outra forma. No papel de imprensa especializada do rugby, temos na experiência própria e diária a propriedade para falar sobre como federações e clubes ainda pecam muito para se comunicarem com a imprensa, sobretudo a especializada – e não digo apenas pelo Portal do Rugby, pois outros sites também enfrentam o mesmo problema. Se por um lado temos por obrigação fazer uma nostra culpa sobre erros de informação que já foram publicados em nosso site – que são de nossa responsabilidade e que merecem sim as críticas – por outro ainda há uma zona nebulosa na transmissão das informações, que dificulta o trabalho amador da imprensa especializada. Se o rugby brasileiro almeja ser grande, precisa ter uma comunicação impecável – resguardadas as limitações, sobretudo financeiras – em todos os níveis.

 Confederação, federação, precisão!
Para qualquer confederação ou federação estadual, é essencial ter uma assessoria de imprensa eficiente e atuante, solícita e capaz de responder a todas as questões da imprensa, por estar por dentro dos assuntos internos. Mesmo que a resposta à imprensa seja um pedido de sigilo momentâneo de alguma informação – contanto que esse sigilo seja solicitada da mesma forma para todos os meios de comunicação, garantindo que todos sejam informados desse sigilo, o que repetidas vezes não aconteceu pelas nossas bandas, ainda que sem o intuito de beneficiar alguém. Sem citar instituições ou nomes, pois o intuito não é prejudicar ninguém, vemos que as informações que a imprensa necessita e que são de interesse comum a todos não chegam às pessoas que assessoraram a imprensa. O responsável pela comunicação vira o dedo que segura o prego para a martelada, sem ter como ajudar. Por isso, a crítica aqui não é a pessoas em específico, mas a sistemas de funcionamento equivocados. Ou mesmo à ausência completa de assessoria, que é o caso ainda de algumas federações estaduais e ligas regionais.

Nesse sentido, há por trás também uma compreensão errada do que é assessoria de imprensa. Vemos muitas vezes que há uma confusão entre as entidades fazerem papel de imprensa e elas assessorarem a imprensa. O papel primeiro de qualquer entidade é de facilitar o acesso rápido e preciso da imprensa às informações. O que significa antes, por contato direto, informar aquilo que é de relevante para o momento, e não fazer com que a imprensa aguarde a entidade divulgar uma notícia em seu site. Dialogar é ter alguém que possa responder às indagações da imprensa com rapidez e precisão antes mesmo da informação aparecer no site da entidade ou em suas redes sociais. Se a imprensa deve por obrigação ir atrás das informações, tem que dar a resposta, e não fazer as vezes de imprensa. Prover a informação é diferente de fazer um anúncio oficial, um press release. Tal comunicação direta é essencial também durante os torneios. Qualquer torneio bem organizado mundo afora busca facilitar o acesso da imprensa a resultados em tempo real, como placares, súmulas, estatísticas, listas oficiais de atletas, etc, passando-as na hora que são liberadas pelos responsáveis, diretamente à imprensa, sem que ela dependa daquilo que já foi publicado pela entidade. [I]Press releases[/I] e redes sociais e site oficial são ótimos, mas não são tudo. Ainda mais quando eles deixam escapar uma informação que não vem acompanhada de maiores explicações, gerando dúvidas com desdobramentos sérios, como a inclusão do jogo Brasil x Portugal no calendário da CBRu antes de qualquer pronunciamento oficial ou confirmação para a imprensa por meio de assessoria ou autoridades. No caso de Brasil x Portugal, a informação se provou premeditada. Não pode acontecer jamais. E, quando o assunto é seleção brasileira, as dificuldades de se obter informações em algumas viagens dos selecionados ao exterior preocupa, é algo a ser sanado, pois deixa imprensa especializada e torcedores às escuras. Não dá mais para ter viagem sem assessor que, não apenas esteja apto a assumir a comunicação oficial, como esteja disponível e acessível à imprensa e seus questionamentos e solicitações – como declarações e respostas às perguntas, não se restringindo ao que vem com os releases oficiais – mesmo à distância. O que muitas vezes ocorre é que jogadores e membros da comissão técnica, que não deviam estar fazendo essa função, o fazem, por boa vontade, mas, claro, sem poderem ajudar por completo. O mesmo deve ser pensado acerca de atuais e futuras seleções estaduais.

Hoje, algumas entidades (não todas!) e clubes (não todos!) publicam diretamente em seus canais as informações e avisam à imprensa para aguardar sair a informação em seus veículos oficiais. Algumas vezes, a informação é instantânea, o que acaba ajudando a imprensa, mas outras vezes ela demora o suficiente para o público crer que o problema é a incompetência da imprensa. Para não falar nas súmulas e outras informações erradas que repetidamente são divulgadas para a imprensa, que mancha um pouco mais sua imagem. Súmulas oficiais erradas. Sim, acontece mais do que deveria Brasil afora, isso quando as súmulas são disponibilizadas. Algumas vezes elas não são ou demoram demais para serem. Erros, não só informações dos jogos, mas em informações em geral, que ocorrem muitas vezes – como trocas de nomes, nomes errados, informações históricas equivocadas ou nomenclaturas inapropriadas – são muitas vezes compreensíveis. Nós também erramos. Somos todos humanos e uma boa nota corrigindo a informação resolve, o que em geral acontece. Mas, quando o acúmulo de desinformação de torna grande, a situação se agrava.

Aqui, a crítica também seria justa para o Portal do Rugby e outros sites especializados, que também erram, muitas vezes pela falta de revisão, tanto da precisão das informações como da redação. A imprensa também tem que zelar pela sua responsabilidade e papel no desenvolvimento do esporte, mas isso não diminui a crítica às demais entidades de forma alguma.

Clubes: comunicar é preciso!
Repetidas vezes, a desorganização de nossos órgãos diretivos leva a casos absurdos como campeonatos – sobretudo torneios de sevens – que não têm tabela de jogos na véspera (literalmente!) do pontapé inicial. Tal situação prejudica a própria impresa, pois a sensação do público é de que os sites especializados são incompetentes ou negligentes com as informações, quando na verdade a falha vem dos organizadores. Perguntas sem resposta também se repetem, quando já não era mais tempo delas não terem resposta. Aqui, é a falta planejamento prejudica a comunicação, o que é ainda caso sério no nosso rugby. Sendo justos, algumas vezes não são a confederação ou as federações os responsáveis por tais situações, mas os próprios clubes, que, por desistências, mudanças de planos ou outros motivos produzem as indesejáveis mudanças em cima da hora, que muitas vezes também tardam a serem informadas. Com isso, a crítica também se direciona aos clubes, que, em bom número – mas, não em sua totalidade – não colaboram com a comunicação. Há hoje no Brasil bons exemplos de clubes que fazem bem seu papel de comunicação com a imprensa especializada, mas muitos ainda não.

Para muitos clubes, o entendimento de comunicação também é equivocado. E o mesmo se aplica a campeonatos organizados pelos próprios clubes, sobretudo torneios de sevens, que existem aos montes no país e, muitas vezes, ocorrem no anonimato, sem informarem sequer sua existência aos sites especializados, que ainda não têm estrutura para caçar o que todos os quase 300 clubes espalhados pelo Brasil fazem diariamente. Temos, sim, a obrigação de fazer isso, mas vendo a realidade crua e nua, não dá para esperar que isso seja feito com perfeição. O que ocorre em geral é que tais clubes e torneios ou se focam na comunicação para jornais e rádios de suas cidades ou simplesmente não comunicam coisa alguma para ninguém que não esteja diretamente envolvido com eles. Erro. É claro que comunicar para a imprensa local é essencial – e até mais importante -, já que se reverte em apoio da comunidade e poder público local, atrai praticantes, é perfeito. Mas, se o esforço já foi feito para comunicar as atividades do clube e do torneio para a imprensa local, por que não comunicar à imprensa especializada? É por meio dela que outros clubes saberão dessas atividades. É por meio dela que federações e confederações muitas vezes são informados. E é por meio dela que quem está chegando agora no rugby – de interessados a possíveis investidores – podem descobrir tais atividades. É crucial se divulgar para a comunidade do rugby brasileiro, não apenas para a sua cidade . Nesse sentido, muitos clubes e torneios mostram total desconhecimento da realidade do rugby nacional. Dois pensamentos são recorrentes: primeiro, que a atividade deles não interessa para mais ninguém. Erro. Ao menos o Portal do Rugby tem interesse em ser informado de qualquer mero amistoso que seja realizado em qualquer canto do Brasil,  em qualquer modalidade de rugby. Divulgamos tudo em nosso artigos semanais denominados “Jogos do fim de semana”, no qual queremos sempre listar TODOS os jogos e torneios que ocorrerão no fim de semana seguinte pelo Brasil, e que pode ser atualizado depois de ser publicado com aqueles que ficaram de fora, e o “Resultados do fim de semana”, que dá os placares dos jogos. Muitas vezes, os clubes nos informam dos jogos antes, mas não nos dão os placares após a realização deles, além de não os disponibilizarem imediatamente em suas redes sociais ou outros canais de informação. Outro erro!

O segundo erro é acreditar que os sites irão atrás deles. Toda imprensa tem por obrigação ir atrás das informações, trata-se de uma redundância com relação ao ofício de jornalista. É nossa obrigação ir atrás de clubes, federações, confederação, atletas, árbitros, técnicos, dirigentes, etc. Ir atrás das informações. Contudo, é na prática impossível para qualquer site especializado hoje monitorar todos os clubes do país, pois nenhum site tem equipe 24h. O rugby brasileiro ainda é na maioria amador. Por isso, o apoio dos clubes é essencial. Eles não devem esperar que os sites cacem as informações em suas redes sociais ou sites oficiais, mesmo que isso seja obrigação da imprensa e parte central de seu ofício. Do clube do Super 10 ao clube recém-formado, todos têm que se conscientizar da necessidade de estarem em contato permanente com a imprensa especializada, informando-a. Para tal, é a figura do assessor de imprensa que se faz necessária. Nesse sentido, mesmo que os clubes sejam inteiramente amadores, um jogador ou apoiador deve assumir essa responsabilidade, que não toma mais do que alguns minutos ou poucas horas semanalmente, dependendo do tamanho da equipe ou do torneio e de sua organização. No caso dos resultados das partidas, por exemplo, a informação também não pode esperar: tem que ser dada no dia, ou no dia seguinte, não mais que isso, pois é essencial e denota organização dar informações frescas, e não passadas.

Trata-se da mútua cooperação entre clubes, federações, torneios e imprensa, em conformidade com a situação do rugby no país. Há exceções, claro, pois muitos clubes e entidades já fazem esse trabalho, ou tentam fazê-lo. Mas, mesmo as exceções têm ainda terreno para melhorarem, não devem se acomodar, pois a situação presente está longe do ideal, muito erros acontecem, mesmo da parte dos que tentam fazer a comunicação. Por isso mesmo sempre vale ressaltar a importância da boa comunicação, para que se torne hábito, e não exceção.”

Por Victor Ramalho – Portal do Rugby

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